AVISO DESDE JÁ QUE VOU FALAR DE UM TEMA SENSÍVEL!!!!
Trabalho em contexto de lar já faz uns aninhos e tenho uma ligação muito grande com os idosos.
Gostam de mimos e carinho.
Precisam de mimos e carinho.
E quando morrem deixam sempre uma grande perda nos nossos corações. Mesmo aqueles que não gostamos tanto, que como é óbvio, também os há.
Mas esta semana foi dura.
Sim houve uma morte.
Uma morte de uma pessoa mais nova que estava connosco devido às diversas doenças que tinha.
Foi dura porque era muito nova. Mas também foi dura porque foi a primeira que eu assisti.
Nunca tinha visto ninguém morrer.
Nunca tinha presenciado o momento em si.
Mas entrei no quarto no momento em que ela dava os últimos suspiros.
E só saí quando ela também saiu.
O problema foi que congelei.
Queria ajudar a mante-la viva mas estava parada sem saber o que fazer. Queria dar-lhe a mão para ela saber que eu estava ali mas não consegui. Só conseguia olhar para o rosto dela. Branco. Os olhos.... muito abertos.... ainda os vejo cada vez que fecho os meus.
Estava mais gente no quarto. A fazer o melhor que conseguiam. Mas nada havia a fazer. Sabíamos isso. E ela também o sabia.
Não sei quando aconteceu o momento. Aquele em que o seu coração desistiu ou foi obrigado a desistir.
Quando os bombeiros chegaram iniciaram manobras mas já tinha acontecido.
Fiquei no quarto com os bombeiros enquanto se tratava dos últimos pormenores. E quando o corpo desceu eu também desci.
Todo este assunto esta cá dentro do meu peito. Guardado numa caixinha a sete chaves. Não derramei uma única lágrima. E eu que ou uma chorona. Estarei a ficar insensível?
Ainda vejo aqueles olhos muito abertos a olhar o vazio. Pensei já foi. E depois percebi que não tinha ido. Mas estava a momentos disso. E depois foi. Quando não sei. Algures naqueles minutos angustiantes. No tempo interminável que levou a chegar a ambulância.
Não que fosse possível mudar alguma coisa.
Não havia maneira de o desfecho ser outro. Todos sabemos isso.
Ela estava à espera. Todos estavam à espera. Mas uma coisa é estar à espera e outra é acontecer mesmo em frente aos nossos olhos.
Desde quinta que mais uma estrelinha brilha no céu,
É menos um abraço que eu dou.
Menos um carinho que eu faço.
Menos uma vida entre nós.