domingo, 8 de fevereiro de 2026

Então e o mau tempo II

Rescaldo das últimas depressões que aqui passaram, desde a Kristin, passando pelo Leonardo e terminando na Marta. Terminando é como quem diz porque parece-me que as depressões vieram para ficar.

Temos as estradas todas rebentadas. Não são apenas uns buraquinhos. São buracões e supressões das estradas. Fendas com mais de dois metros de altura. As que se mantém bem ficam submersas pela quantidade de água das chuvas e dos caudais dos rios. 

Hoje estava sol quando saí para o trabalho. Consegui passar bem pela estrada que me permite demorar cerca de 45/50 minutos a chegar ao trabalho (em vez dos habituais 25 minutos). Tenho de ir devagar pois não sei as surpresas que vou encontrar ( buracos e lençóis de água) e o trajeto é maior. Sem contar que tenho de pagar portagens.

Outra questão que nos prende é o facto de não termos água. Estávamos a receber água dos bombeiros mas agora parece que ou a água não chega ou temos mais algum cano rebentado e não sabemos.

As tempestades estão para ficar durante as próximas duas semanas. 

Será que nós as aguentamos?

 


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Então e o mau tempo?


 A kristin veio e provocou muitos danos. 

Vá.... muitos estragos mesmo!

O problema é que o mau tempo está para ficar e parece que o Leonardo anda a aprontar das suas.

Estradas intransitáveis,  condutas de água com os porcos, água fornecida pela câmara em camiões enormes, água por todo o lado, derrocadas por todo o lado, muita falta de luz... É um ver se te avias impressionável. 

O problema é que corro o risco de ficar do lado de fora da Vila. É que as estradas de acesso estão todas a ficar cortadas e eu estou ainda a sair do trabalho. A estrada por onde eu vim já fechou à hora de almoço, assim como todas à volta. 

Estou com fé na única estrada que permanece aberta. Dizem que tirando um lençol de água faz-se bem. A ver vamos.


Passadas umas horas....

A minha patroa foi impecável e deixou-me sair mais cedo o que me permitiu fazer o percurso ainda de dia.

Felizmente a única estrada aberta ainda estava em perfeitas condições de passagem. A ribeira ainda não tinha galgado as margens por isso passava-se bem. Mas creio que a palavra chave é mesmo essa: ainda. Pois a ribeira estava já bem cheia e espera-se que encha bem mais.

Graças a Deus que amanhã estou de folga e não vou ter de andar atrás de estradas transitáveis. Fica para domingo. 

Então mas domingo não chega outra depressão?

Uma de cada ver, por favor 

sábado, 31 de janeiro de 2026

Sim, vou falar sobre morte

AVISO DESDE JÁ QUE VOU FALAR DE UM TEMA SENSÍVEL!!!!

Trabalho em contexto de lar já faz uns aninhos e tenho uma ligação muito grande com os idosos.
Gostam de mimos e carinho. 
Precisam de mimos e carinho.
E quando morrem deixam sempre uma grande perda nos nossos corações. Mesmo aqueles que não gostamos tanto, que como é óbvio, também os há.

Mas esta semana foi dura. 
Sim houve uma morte. 
Uma morte de uma pessoa mais nova que estava connosco devido às diversas doenças que tinha. 
Foi dura porque era muito nova. Mas também foi dura porque foi a primeira que eu assisti.

Nunca tinha visto ninguém morrer. 
Nunca tinha presenciado o momento em si. 
Mas entrei no quarto no momento em que ela dava os últimos suspiros. 
E só saí quando ela também saiu.

O problema foi que congelei. 
Queria ajudar a mante-la viva mas estava parada sem saber o que fazer. Queria dar-lhe a mão para ela saber que eu estava ali mas não consegui. Só conseguia olhar para o rosto dela. Branco. Os olhos.... muito abertos.... ainda os vejo cada vez que fecho os meus. 
Estava mais gente no quarto. A fazer o melhor que conseguiam. Mas nada havia a fazer. Sabíamos isso. E ela também o sabia. 

Não sei quando aconteceu o momento. Aquele em que o seu coração desistiu ou foi obrigado a desistir. 
Quando os bombeiros chegaram iniciaram manobras mas já tinha acontecido. 
Fiquei no quarto com os bombeiros enquanto se tratava dos últimos pormenores. E quando o corpo desceu eu também desci. 

Todo este assunto esta cá dentro do meu peito. Guardado numa caixinha a sete chaves. Não derramei uma única lágrima. E eu que ou uma chorona. Estarei a ficar insensível? 
Ainda vejo aqueles olhos muito abertos a olhar o vazio. Pensei já foi. E depois percebi que não tinha ido. Mas estava a momentos disso. E depois foi. Quando não sei. Algures naqueles minutos angustiantes. No tempo interminável que levou a chegar a ambulância. 

Não que fosse possível mudar alguma coisa. 
Não havia maneira de o desfecho ser outro. Todos sabemos isso. 
Ela estava à espera. Todos estavam à espera. Mas uma coisa é estar à espera e outra é acontecer mesmo em frente aos nossos olhos. 

Desde quinta que mais uma estrelinha brilha no céu, 
É menos um abraço que eu dou.
Menos um carinho que eu faço. 
Menos uma vida entre nós.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

gato no saco

Sim, o gato foi enfiado num saco de papel e fez as delicias de todos quantos quiseram dar-lhe beijinhos. 
No início ele achou estranho mas depois acabou por se ficar. Uns segundos vá.... Depois queria era sair daqui e que lhe parassem de encher de beijos que ele detesta.
Não foi ele que nos escolheu? Agora que nos ature! 

sábado, 24 de janeiro de 2026

puzzleyou

O marido faz anos no 24 de dezembro e este ano tive a brilhante ideia de comprar um puzzle com fotos nossas para ele construir.
Na puzzleyou coloquei as fotos que queria que ele construísse. Umas oito se não estou em erro. E no meio uma frase pequenina "me & you". 
Mas o mais impressionante foi comprar o puzzle do advento. Ou seja estava tudo dividido em dias para irmos construindo do dia 1 ao dia 24. A ideia era ele ir construindo um bocadinho todos os dias até ao dia do aniversário. Claro que não aconteceu.
Isto porque o puzzle estava no anexo e com o mau tempo deixámos muitos dias por fazer. Além do que o marido quis que fizéssemos tudos juntos e comigo a chegar tarde a casa acabámos a construir o dito cujo bem depois do natal. 
Neste momento já construímos, já comprámos uma moldura no Leroy Merlin (muito mais baratas) e o nosso puzzle maravilhoso com fotos dos quatro já está na parede atrás do sofá. É fomos nós que fizemos. 
É uma ideia muito fixe para quem não sabe o que oferecer e como nós é que temos de construir tem ainda mais significado.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

louca só quando eu quero

Li coisas fantásticas sobre este livro. 
Pensei, se a autora tem a mesma condição que eu , deve ser fantástico.
Claro que mandei vir. Apesar de autora brasileira, o tema do livro parecia ser exactamente aquilo que eu precisava. 
Já chegou à uns quatro dias e ainda vou a meio.....
Não sei explicar mas não é assim nada de especial. Sim lê-se bem. Mas está em português do Brasil o que me deixa logo os pêlos eriçados. E apesar de ser de uma escrita fácil de ler, há qualquer coisa que me faz querer fazer outra coisa qualquer quando estou a ler. 
Ainda ontem por exemplo, li umas dez páginas e tive uma súbita e desesperante necessidade de ir ver vídeos no Facebook. Claro que larguei tudo e me agarrei ao telefone.
Será pelo tema? Será pela maneira como a escritora aborda o tema? 
Olhem não sei. Só sei que o livro não é grande mas tem-se estado a arrastar. Quando acabar de ler, se tiver mudado de opinião escrevo aqui

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

saber olhar para trás

Saber olhar para trás eu sei. 
Com a distância certa consigo perceber coisas que no calor do momento não me atinge. 
É muito fácil para mim esquecer que sou bipolar. Principalmente quando não estou depressiva. É é muito fácil esquecer que na fase da hipomania tudo me atinge com o dobro da força e só faço coisas no calor do momento. 
Doi muito pensar que magoei profundamente a pessoa que mais amo. Dói ainda mais saber que, apesar de tudo, ela não desistiu de mim. 
Foi o caso da separação. Da mudança. De todo aquele período conturbado que a minha vida foi durante aqueles instantes que a marcaram profundamente. 
Ele nunca duvidou. Nunca largou a minha mão. Eu pedi-lhe mais e mais até ele dizer que estava no limite. Eu levei-o ao limite. O amor da minha vida. E eu odiei-o naquele momento. Com todas as forças do meu ser eu odiei-o. 
Hoje eu consigo ver que estava em hipomania. Consigo ter essa percepção. Na altura era apenas mais um momento da minha vida. Um momento horrível que nos marcou profundamente. Mas também nos ajudou. Ajudou-nos a encontrarmo-nos pois algures no tempo nós tínhamo-nos perdido.
Hoje somos um todo novamente. 
Somos unha com carne. A metade da mesma laranja. 
Mas somos porque ele nunca largou a minha mão. Mesmo quando me fez pensar que sim. 

Então e o mau tempo II

Rescaldo das últimas depressões que aqui passaram, desde a Kristin, passando pelo Leonardo e terminando na Marta. Terminando é como quem diz...