quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

Mini-férias ou actualização da medicação

 Já não aguentava mais e.... depois de ter recomeçado a medicação, dou graças a Deus por ter colocado férias.
  • É um mal estar constante. 
  • Muito sono
  • Muito cansaço
  • Muitas náuseas
  • Muitas dores de cabeça
  • Muita ansiedade
  • E tratar de uma mudança de casa ao mesmo tempo. 
Não tem sido fácil mas finjo que está tudo bem. 
Sempre que consigo. 
No primeiro dia mal suportava as náuseas. Agora, apesar de constantes parecem ser mais facilmente toleráveis. O sono e o cansaço é difícil disfarçar. Mas é mais após a medicação do almoço. De manhã pareço estar a acordar bem, até.

Ontem fomos passear.
Ver o mar....
Estava um vendaval e um frio desgraçados mas com ele só tirou um ou outro dia de férias tínhamos de aproveitar que ele estava em casa. 
Nem deu para colocar os pés na areia.
Acho que é que mais sinto falta de Sintra. O poder ir colocar os pés na areia e respirar a água salgada sempre que me apetecia. Aqui a praia fica longe e não é a mesma coisa.

Vá.... um dia de cada vez, certo?

terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

os nossos pijamas fugiram

A camisola do meu pijama e as calças do pijama dele desapareceram.... 
Suspeito....
Devem estar juntas, quase de certeza.
O que é que andarão a fazer?
Já corri a casa de uma ponta a outra. E nada. 
Coisa boa não andarão a fazer....

bolo de fim de semana

Há muitos anos atrás....
Okay, há mesmo muitos anos atrás, eu costumava fazer bolos e bolachas ao fim de semana.
Este fim de semana decidi retomar a tradição e fiz um bolinho simples de limão.
Atenção, eu deixei de fazer este tipo de coisas para não tenho assim tanto jeito mas enfim.
Ontem, o mais novo pergunta quanfo é que a avó tinha mandado aquele bolinho tão bom.
Desatámos todos a rir.
A avó????
Foi a mãe!!!
A mãe? A mãe nunca faz bolos!!!
Tenho mesmo de retomar a tradição dos fins de semana. É que a criança já nem se lembra daqueles tempos o que dá para ter uma ideia de há quanto tempo eu não fazia docinhos sem ser obrigada.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

a dor de saber que é definitivo

Sim, já tinha tomado a decisão de que não voltaria a ser mãe. 
Por ele.
Hoje tive de a tomar por mim.
No momento em que voltei a tomar a medicação soube que seria para sempre e que estava a abdicar de algo que sempre quis. E que nunca iria poder voltar atrás.
A verdade é que aguentei o máximo que pude. Mas não tinha de ser. Já andava demasiado desiquilibrada para o meu gosto. Sem controlo. Não podia continuar assim.
E dói. E vai doer sempre. Mas a decisão foi minha. 
Como é que eu poderia voltar a ser mãe se não estava bem?

sábado, 24 de fevereiro de 2024

pedo-psiquiatra

Digam lá se a senhora não tem um ar tão fofinho .... Ternurento.... Amigável....
Pois....
Nem por isso.
Odeio esta médica.
É que não é uma pessoa fria. É um autêntico congelador!
Não estou, nem por sombras, a dizer que é uma má médica, atenção, muito pelo contrário. Não tenho qualquer razão de queixa. Mas, digamos que tem pouco tacto para os pais....
O miúdo gosta dela e tudo o que ela diz faz sentido. Antes de o medicar fez exames para comprovar o que ela pensava e só quando teve a certeza é que passou, realmente, medicação ao miúdo.
Não tenho razão nenhuma para duvidar que seja uma excelente médica.
Só não gosto dela. Pronto. Mas temos de gostar de toda gente?
Faz-me sempre sentir que sou uma péssima mãe e acredito que ela dava tudo para poder estudar a minha doença pois passa a vida a perguntar-te se já me fizeram isto ou aquilo....
Só houve uma situação que eu quase que a abraçei.
Tudo começou com uma habitual crítica à minha pessoa. Naquele caso o meu riso nervoso. Estávamos a falar com ela sobre o termo-nos separado e termos decidido voltar a estar juntos. Para podermos saber como devemos agir da melhor maneira frente ao miúdo.
E ela vai e pergunta se tínhamos superados o que nos tinha levado ao divórcio.
Respondemos que claro que sim.
Mas têm a certeza?
Sim, claro.
E como é que têm a certeza.
Ora gaita, já me estava a irritar. Expliquei as razões foram ultrapassadas uma vez que ele estava a ser acompanhado por uma psicóloga e que eu tinha desistido de ter mais filhos.
Então e porque é que queria mais filhos?
Mas que raio de pergunta é essa? Queria filhos porque queria filhos. 
Já a estava a imaginar com o discurso de que eu não servia para ser mãe quando ela pergunta:
Você foi feliz na gravidez?
Hum... Se calhar fui, o que é que vos parece?
E então ela vira-se para o meu ex-actual e explica-lhe que eu sou feliz quanto mais cheia estiver. E cheia ela referia-me à vida. E que é uma sensação que eu não consigo controlar porque trata-se de uma exigência do meu próprio corpo. E mais. Que era normal eu ficar desiludida e muito triste cada vez que me aparecesse o período.
Ora nem mais. Agora já percebo porque raios é que desato a chorar que nem uma Maria Madalena cada vez que sabia que alguém estava grávida. Não sou eu. É uma reação do meu corpo.
E foi a mulher que eu odeio, desculpem, a médica super respeitada e inteligente que disse isso.

Ps. Eu não ia colocar a foto dela como ilustração. Eu ia à procura de uma médica fofinha, possivelmente um cartoon, mas... Assim que se procura pedo-psiquiatra aparece ela. Calculei que fosse destino.

lá se foi a embraiagem

Sim, foi mesmo à vida.
Eu sei que ela já andava a ameaçar e tal mas....bolas fou mesmo no dia em que tivemos de ir a Lisboa.
Sim, fomos à pedo-psiquiatra com o mais novo mas depois eu conto tudo. 
Agora só queria mesmo, mesmo mostrar a minha indignação para com o facto da magana se ter recusado a durar até julho, altura em que iria fazer a revisão.
E depois, uma gaja quer fazer tudo certinho liga para a marca e os gajos dizem que só conseguem pegar no carro a partir de 8 de março. 
Mas está tudo doido nesta terra????
Como é que eu fico tanto tempo sem carro???
Eu preciso do carro para ir trabalhar, eu preciso do carro mesmo para trabalhar.... No can do!
O ex-actual lembrou-se do mecânico cá da terra. Sabem, aqueles senhores que conseguem tudo para ontem? Assim foi ele.
Entreguei-lhe o carro na sexta à noite e domingo à noite já cá estava nas minhas mãozinhas....
É ou não é espetacular?
Eu nem sequer estava nada à espera porque o senhor não tinha as peças, mas lá está, aqui fazer-se autênticos milagres.

Vou só ali chorar os 500 e tal euros que tive de desembolsar e já volto...
Eu sei, o senhor mereceu-os bem. E tive sorte porque a peça mais cara não ficou danificada se não era o dobro. 
Epá.... Mas dói.
Doí muito.

sopa de peixe dos pobres

E porquê dos pobres perguntam vocês? Porquê não leva camarão. Dah!
Mas fica deliciosa e os miúdos cá de casa adoram. Mas eles são suspeitos porque adoram estas coisas.
Ora vamos lá, a ver se não me esqueço de nada.

Ingredientes
Cabeças de peixe (idealmente. Eu usei uma vabeça pequena de salmão e uma posta de perca porque era o que havia cá em casa)
Água q.b
Sal q.b
Azeite q.b
1 folha de louro
Mistura de ervas da Margão que contenha mangericao ou orégãos q.b
Pimenta q.b
1 courgette grande
3 tomates grandes
1 cebola grande
1 pimento amarelo dos pequeninos ou 1/3 dos grandes (na verdade pode ser de qualquer cor mas eu gosto destes que são mais doces)
1 alho francês grande
1 molhinho de coentros
1/2 pacote de massa das letrinhas (a preferida dos miúdos cá de casa)

Começamos por cozer o peixe em água abundante, temperada com um pouco de sal, a pimenta, o louro e a mistura.
Retira-se o peixe depois de cozidinho e salta para dentro daquela água aromatizada os legumes cortadinhos e metade do molho de coentros, deixando cozer bem.
Se necessário acrescenta-se mais água.
Após a cozedura, retificam-se os temperos, particularmente o sal, coloca-se um fio generoso de azeite, metade do peixe já desfiado e tritura-se tudo.
A consistência é que vocês mais desejárem por isso se necessário não tenham medo de juntar mais água.
Junta-se o resto do peixe, a massa e o resto dos coentros já picados.
Deixe cozer a massa e verifique o sal.
E pronto. Todos para a mesa. 

Bom apetite.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

quando percebemos que as coisas não estão assim tão bem...

Choro fácil.... ✔️
Ansiedade ao rubro... ✔️
Muitos esquecimentos.... ✔️
Desespero... ✔️
Cansaço.... ✔️
Exagero.... ✔️
Riso exagerado.... ✔️

E talvez muitos outros que não me lembro.
Para trabalhar tenho andado a ansiolíticos. Quatro por dia. E mesmo assim é difícil. 
Quando o desespero aparece parace que tudo vai acabar.

A consulta era só a dia 8. Ganhei coragem e permiti-me a mim própria confessar que não iria aguentar tanto.
Mesmo sabendo que iria entrar de férias as coisas não estão fáceis para o meu lado.
Respirei fundo e liguei para a CUF.
Tinha consulta para segunda feira.
Não interessava com quem apenas era necessário marcar por isso marquei.
Agora, mais calma, fui pesquisar o médico. Muitos anos a trabalhar no Júlio de Matos e especialista em doenças mentais como a bipolaridade. É dos meus.
Entrevistas ao médico: não é apologista da medicação em excesso e 95% dos pacientes tem uma vida normalíssima. Trabalham e conduzem para levar os filhos à escola. Que mais se pode pedir?
Agora é respirar fundo e aguentar até segunda.
O ex-actual não está muito contente. Foi muito difícil encontrar um médico que me trouxesse a um estado de vida normal. 
O problema é que eu não aguento até Março e tenho medo do que me anda a vaguear pela cabeça.
E eu não desmarquei a consulta. Se vir que não gosto do médico novo posso sempre ir ao antigo novamente. 
Calma. Muita calma nesta hora.

domingo, 18 de fevereiro de 2024

Fingimento


"O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração."

Fernando Pessoa


Às vezes é assim que me sinto. 
A fingir que está tudo bem. Que está tudo normal. Que sou uma pessoa como todas as outras.
Mas não sou. 
Lembro-me de ser criança e me esconder na casa de banho para chorar. Lembro-me de todos os anos comer as doze passas do ano novo e em cada uma delas pedir para ser feliz. Lembro-me de sorrir enquanto o meu coração vai definhando e partindo.
Com a médica do meu filho, na sua última consulta, aprendi que queria ser mais porque a gravidez foi uma das fases mais felizes da minha vida. E que o meu corpo exige estar "cheio" novamente. Que é normal querer passar por isso novamente e que cada vez que os primeiros sintomas da menstruação aparecerem o mais natural é eu ir-me completamente abaixo. 
A menstruação veio hoje. Os primeiros sintomas apareceram há uma semana. Confirma-se. 
Raios partam, odeio aquela mulher mas ela realmente sabe tudo de tudo. Quase me fez chorar no consultório à frente do miúdo.
É verdade, vou-me muito abaixo. E esforço-me o dobro das outras pessoas para estar bem. Faz-me falta a medicação. Faz-me falta tudo.
Não há nada que não me deite abaixo. Não há um único dia em que eu não sinta um enorme desespero por continuar viva.
Agarra-me às pequenas coisas. Às pessoas que me rodeiam. Ao meu filho. A ele.
E sorrio. E finjo que estou bem.
Mesmo quando só me apetece chorar 

sábado, 17 de fevereiro de 2024

caldo verde

Eu adoro caldo verde. 
Eu gosto de sopa, por isso sou suspeita. Mas gosto muito de caldo verde mesmo. E no inverno, cai sempre bem uma sopinha bem quentinha...

Ingredientes:
6 batatas grande
3 cebolas
2 cenouras
1/2 chouriço
1 saco de caldo verde
Sal q.b
Azeite q.b
2L água (mais ou menos)

Preparação:
Como todas as sopas começa-se por cortar todos os ingredientes em pedaços pequenos para cozer mais depressa (as batatas, as cebolas e as cenouras).
Coloque todos os pedaços num tacho, juntamente com o chouriço, e cubra com água.
Deixe cozer bem com um pouco de sal, retire o chouriço e triture tudo, indo juntando água a ferver até ter a consistência desejada. Eu pessoalmente gosto mais líquida do que puré.
Volte a colocar no lume, junte o caldo verde e o chouriço já cortado às rodelas. Retifique o sal e deixe cozer o caldo verde.
Sirva bem quente.

Bom apetite.

a chave já cá canta!

Sim, resultou.
A chave chegou está manhã. Com direito a porta chaves e tudo com a inicial dele. E comprou um porta chaves com a minha inicial para ele 
Okay, não é um anel. Mas é a chave da minha nova casa e daqui já não saio, daqui ninguém me tira.
E o pormenor do porta chaves? Digam lá que não foi super, hiper, mega amoroso?

Claro que o facto da pedo-psiquiatra do mais novo ter avisado que o miúdo precisa de muita estabilidade e não de recuos e avanços ajudou. 
Segundo ela, ele sente que precisa de proteger e cuidar da mãe porque tem consciência que a mãe tem uma doença e sente uma extrema necessidade de que ela esteja bem e feliz. E por muito que a gente lhe diga que eu estou bem, ele precisa de ver, saber e sentir que é realmente verdade.
Todos os dias o miúdo pergunta "estão bem? Dormiram bem?" Todos os dias, sem excepção. Nunca se esquece de perguntar. Ele precisa de saber que todos estamos bem para ele estar bem. 
Os nossos recuos e avanços que o pai tanto necessitava porque para ele era ir com calma, para o meu filho era apenas um "mas eles não se decidem?" E ele não estava nada bem com tudo isso.

Então hoje recebi a chave. Uma chave só para mim!
Sem recuos, está bem?

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

chega!


Decidi que "enough is enough!" 

Disse-lhes mesmo que já estava farta de ter que ir dormir a casa de dois ou dois dias e que já não saía lá de casa dele. 

Já tenho uma gaveta, cabides e a escova de dentes.

Então, ontem, agarrei num saquinho e fui colocando coisas da cozinha. Tangerinas, iogurtes, congelados.... pouca coisa. Os chinelos do puto, a luzinha de presença... e ao chegar anunciei que já não me podia mandar embora porque já tinha começado as mudanças.

Partiu-se a rir claro. 

Já ia começar com o discurso do costume quando eu me virei e disse "e escusas de me mandar embora que eu recuso-me a ir dormir sozinha para a outra casa". Pronto. e ficou assim.

Hoje faço outro saquinho, como quem não quer a coisa e levo. E vou levando saquinhos todos os dias até já não haver hipótese de arrependimento. 

Ainda por mais agora tenho uma desculpa óptima. Então não é que a alminha foi ao médico e como a tensão estava um pouco elevada a médica colocou-o a calmantes e a medicação para a tensão. Respondi-lhe logo que não percebia porquê. Afinal eu dou-lhe tantos miminhos...

E pronto, a desculpa perfeita. Tenho de me mudar rapidamente para lhe dar ainda mais miminhos.

Não sou tão inteligente?

domingo, 11 de fevereiro de 2024

Contámos aos miúdos

O nosso segredo já não é tão secreto assim.

Afinal ele já tinha conversado com o mais velho. A minha alma até ficou parva. Contou e nem me disse nada, o sacana! Por isso faltava contar ao mais novo que os pais estavam a namorar.

Sim, é verdade, contámos. E eu a pensar que ele ia ficar eufórico e dar pulos de alegria, afinal era o que ele mais queria, ficou super calmo e mesmo do género "eu já sabia..." Só faltou assobiar e dizer que não suspeitava de nada. 

A única pergunta que fez foi "então e vamos viver onde?" 

Pois, como é óbvio não vamos viver no meu pequeno anexo que mal dá para os dois. Não, vamos viver todos juntos na casa do pai. Mas ainda não é para já. Ele continua a querer ir com calma. E não, ainda não quer que eu durma lá todos os dias, o que significa que continuo a passear com o saco de um lado para o outro.

Quando me fui deitar (eu deitei-me primeiro porque ia trabalhar no dia seguinte) ele despediu-se de mim, muito normalmente mas, quando o pai o foi deitar, o sacana perguntou-lhe onde é que a mãe ia dormir. É que eu todas as manhãs tinha de me levantar mais cedo para me deitar no sofá, né? Mas hoje pude ficar na caminha descansada porque ele respondeu ao filho que a mamã ia dormir no quarto do pai.

Muitos progressos, não vos parece?

Mas vá. Para não se habituarem muito, lá vou eu dormir a casa hoje. Não que me apeteça. Ou queira, diga-se de passagem. Mas ele continua a insistir para não o pressionar. Não tenho outro remédio se não ter de ir dormir com o gato e a tartaruga. Continuo a não entender mas o que é que eu posso fazer?

sábado, 10 de fevereiro de 2024

a minha primeira gaveta

Consegui!!!
Já tenho uma gaveta no quarto dele. Toda só para mim.
Eu sei que pode parecer pouco e que sou um bocadinho parva (um bocadinho...) Por ficar tão feliz com o facto de ter ganho uma gaveta mas, acreditem, precisava mesmo disto.
É uma gaveta. Não foi nenhum pedido de namoro, não foi nenhum "muda-te cá para casa" mas foi um passo. Um passo muito importante que me mostra que, pelo menos, ele está a pensar nisso.
Claro que tive de lutar por ela. 
Ah pois. Nada nos cai de mão beijada.
Chateei-o tanto que não havia espaço para mim que ele teve de arranjar espaço para provar que havia. 
E agora há uma gaveta com o meu nome na casa dele. 
Ninguém sabe. Mas também ninguém tem nada que saber. Eu já fico muito feliz apenas por ela existir.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

 


"O que revela a nossa força não é sermos imbatíveis, incansáveis, invulneráveis. É a coragem de avançar, ainda que com medo. É a vontade de viver, mesmo que já tenhamos morrido um pouco ou muito, aqui e ali, pelo caminho. É a intenção de não desistirmos de nós mesmos, por maior que às vezes seja a tentação. São os gestos de gentileza e ternura que somente os fortes conseguem ter."

Ana Jácomo

A anormalidade de ser tão fraca

Tem sido muito complicado controlar as emoções. 
Eu quero estar com ele. Eu só quero estar com ele. Eu fico entusiasmada com as folgas para poder estar com ele. E depois ele diz-me que é melhor eu ficar na minha casa porque o miúdo está de férias e aproveita melhor se estiver sozinha com ele. O puto. 
 Isto deixa-me completamente furiosa! Parece que me está a mandar embora. Que não quer estar comigo.E dói. Pois claro. Dói muito. 
Mas não sei o que dói mais. Se o não estar com ele ou o saber que ele não me quer ao pé dele.
 Diz que quer ir devagar. Sem pressas. Sem planos. Mas depois quer planear as férias. 
Deixa-me completamente maluca. Parece que não se decide. Ou quer ou não quer. Não há meio termo.
Eu preciso de estabilidade. E não deste anda, não anda, vai e volta de casa em casa... Não dá. O meu coração não quer isto. Eu não quero isto. Sou demasiado emocional e ele demasiado racional. Eu preciso que ele não seja tão quadrado mas ele não percebe isso. 
 Porra, ele é que se andava a enfiar na minha cama e eu é que tenho de esperar que ele se decida a perceber se quer avançar ou não. Eu é que tenho de estar aqui a trata-lo nas palminhas das mãos? Por que raios é que é tão difícil? 
Se eu quero e ele quer porque não juntarmos logo os trapos em vez de eu andar com sacos de roupa de um lado para o outro? Parece que ando sempre com a trouxa a trás, a mendigar por um pedido para lá ir passar a noite. 
 Serei assim tão fraca? 

"Sou uma alma perdida, um sonho sem dono,um barco à deriva... A voz das trevas descrita em poesia... Uma vontade escondida em palavras obscuras e mundos de fantasia... Sou uma alma noturna, vagueante por palavras tenebrosas e pelas notas do canto da melancolia. Sou eu pensativa... sempre... e sempre apenas eu"
Monique Viana



sábado, 3 de fevereiro de 2024

Sacana do puto

O meu filho é muito inteligênte. Aliás, os putos hoje em dia não são parvinhos nenhuns. Fui buscá-lo ao treino de futsal. Diz-me ele: "Ó mãe... devias ir dormir a casa do pai..." "Outra vez?" "Sim, porque precisas estar com os teus filhos". Ele e o meu enteado. Levo-o a casa do pai e tiro o saco da roupa para lá dormir. "Ah, afinal vens cá dormir. Porquê mãe?" "Então não disseste que eu tinha de estar com os meus filhos?" "Pois, mas isso era antes de eu saber que já tinhas o saco no carro". Sacana do puto é pouco esperto, é!

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

fomos apanhados

Esqueci-me de vos contar que no outro dia fomos bem apanhados.
A senhora que faz limpeza nas nossas casas chegou mais cedo. E nós ainda estávamos na cama.
Opá, não estávamos a fazer nada, okay? 
Mas pronto. Eu fui a correr para a sala antes dela entrar e fingi que tinha acabado de acordar com a campainha e que tinha estado a dormir na sala.

Só não percebo por quanto mais tempo eu vou ter de fingir que durmo na sala...

coloca o pé no acelerador

Lembram-se de eu dizer que ele queria ir devagarinho e que isso já me estava a irritar? E que caguei para o que ele disse e fui lá dormir?
Hehehe... Deixem-me que vos diga que foi remédio santo! 
Agora passa o tempo a chamar-me para ir jantar lá a casa e dormir, claro. Já houve até um amo-te à mistura. Por mensagem, vá. Mas houve!!! 
E que sou muito linda, e que ele já não consegue dormir sem ser agarradinho a mim... Claro que eu também apimento a coisa. E torna-se muito difícil resistir a mim né? Cof, cof.
Há trocas de mensagens a toda a hora, telefonemas a horas tardias, promessas de beijos e carinho... Tudo o que uma gaja gosta de ouvir e tem direito.
Os miúdos ainda não sabem mas não são estúpidos né? A mãe agora passa o tempo em casa do pai... A ir dormir a casa do pai... E o mais novo faz questão de fazer uma festa, e mostrar bem a sua felicidade cada vez que me vê chegar com o saco da roupa. 
Acho que realmente só não sabe quem não quer. Ou é muito tapado.

Então e o mau tempo II

Rescaldo das últimas depressões que aqui passaram, desde a Kristin, passando pelo Leonardo e terminando na Marta. Terminando é como quem diz...