sábado, 31 de janeiro de 2026

Sim, vou falar sobre morte

AVISO DESDE JÁ QUE VOU FALAR DE UM TEMA SENSÍVEL!!!!

Trabalho em contexto de lar já faz uns aninhos e tenho uma ligação muito grande com os idosos.
Gostam de mimos e carinho. 
Precisam de mimos e carinho.
E quando morrem deixam sempre uma grande perda nos nossos corações. Mesmo aqueles que não gostamos tanto, que como é óbvio, também os há.

Mas esta semana foi dura. 
Sim houve uma morte. 
Uma morte de uma pessoa mais nova que estava connosco devido às diversas doenças que tinha. 
Foi dura porque era muito nova. Mas também foi dura porque foi a primeira que eu assisti.

Nunca tinha visto ninguém morrer. 
Nunca tinha presenciado o momento em si. 
Mas entrei no quarto no momento em que ela dava os últimos suspiros. 
E só saí quando ela também saiu.

O problema foi que congelei. 
Queria ajudar a mante-la viva mas estava parada sem saber o que fazer. Queria dar-lhe a mão para ela saber que eu estava ali mas não consegui. Só conseguia olhar para o rosto dela. Branco. Os olhos.... muito abertos.... ainda os vejo cada vez que fecho os meus. 
Estava mais gente no quarto. A fazer o melhor que conseguiam. Mas nada havia a fazer. Sabíamos isso. E ela também o sabia. 

Não sei quando aconteceu o momento. Aquele em que o seu coração desistiu ou foi obrigado a desistir. 
Quando os bombeiros chegaram iniciaram manobras mas já tinha acontecido. 
Fiquei no quarto com os bombeiros enquanto se tratava dos últimos pormenores. E quando o corpo desceu eu também desci. 

Todo este assunto esta cá dentro do meu peito. Guardado numa caixinha a sete chaves. Não derramei uma única lágrima. E eu que ou uma chorona. Estarei a ficar insensível? 
Ainda vejo aqueles olhos muito abertos a olhar o vazio. Pensei já foi. E depois percebi que não tinha ido. Mas estava a momentos disso. E depois foi. Quando não sei. Algures naqueles minutos angustiantes. No tempo interminável que levou a chegar a ambulância. 

Não que fosse possível mudar alguma coisa. 
Não havia maneira de o desfecho ser outro. Todos sabemos isso. 
Ela estava à espera. Todos estavam à espera. Mas uma coisa é estar à espera e outra é acontecer mesmo em frente aos nossos olhos. 

Desde quinta que mais uma estrelinha brilha no céu, 
É menos um abraço que eu dou.
Menos um carinho que eu faço. 
Menos uma vida entre nós.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

gato no saco

Sim, o gato foi enfiado num saco de papel e fez as delicias de todos quantos quiseram dar-lhe beijinhos. 
No início ele achou estranho mas depois acabou por se ficar. Uns segundos vá.... Depois queria era sair daqui e que lhe parassem de encher de beijos que ele detesta.
Não foi ele que nos escolheu? Agora que nos ature! 

sábado, 24 de janeiro de 2026

puzzleyou

O marido faz anos no 24 de dezembro e este ano tive a brilhante ideia de comprar um puzzle com fotos nossas para ele construir.
Na puzzleyou coloquei as fotos que queria que ele construísse. Umas oito se não estou em erro. E no meio uma frase pequenina "me & you". 
Mas o mais impressionante foi comprar o puzzle do advento. Ou seja estava tudo dividido em dias para irmos construindo do dia 1 ao dia 24. A ideia era ele ir construindo um bocadinho todos os dias até ao dia do aniversário. Claro que não aconteceu.
Isto porque o puzzle estava no anexo e com o mau tempo deixámos muitos dias por fazer. Além do que o marido quis que fizéssemos tudos juntos e comigo a chegar tarde a casa acabámos a construir o dito cujo bem depois do natal. 
Neste momento já construímos, já comprámos uma moldura no Leroy Merlin (muito mais baratas) e o nosso puzzle maravilhoso com fotos dos quatro já está na parede atrás do sofá. É fomos nós que fizemos. 
É uma ideia muito fixe para quem não sabe o que oferecer e como nós é que temos de construir tem ainda mais significado.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

louca só quando eu quero

Li coisas fantásticas sobre este livro. 
Pensei, se a autora tem a mesma condição que eu , deve ser fantástico.
Claro que mandei vir. Apesar de autora brasileira, o tema do livro parecia ser exactamente aquilo que eu precisava. 
Já chegou à uns quatro dias e ainda vou a meio.....
Não sei explicar mas não é assim nada de especial. Sim lê-se bem. Mas está em português do Brasil o que me deixa logo os pêlos eriçados. E apesar de ser de uma escrita fácil de ler, há qualquer coisa que me faz querer fazer outra coisa qualquer quando estou a ler. 
Ainda ontem por exemplo, li umas dez páginas e tive uma súbita e desesperante necessidade de ir ver vídeos no Facebook. Claro que larguei tudo e me agarrei ao telefone.
Será pelo tema? Será pela maneira como a escritora aborda o tema? 
Olhem não sei. Só sei que o livro não é grande mas tem-se estado a arrastar. Quando acabar de ler, se tiver mudado de opinião escrevo aqui

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

saber olhar para trás

Saber olhar para trás eu sei. 
Com a distância certa consigo perceber coisas que no calor do momento não me atinge. 
É muito fácil para mim esquecer que sou bipolar. Principalmente quando não estou depressiva. É é muito fácil esquecer que na fase da hipomania tudo me atinge com o dobro da força e só faço coisas no calor do momento. 
Doi muito pensar que magoei profundamente a pessoa que mais amo. Dói ainda mais saber que, apesar de tudo, ela não desistiu de mim. 
Foi o caso da separação. Da mudança. De todo aquele período conturbado que a minha vida foi durante aqueles instantes que a marcaram profundamente. 
Ele nunca duvidou. Nunca largou a minha mão. Eu pedi-lhe mais e mais até ele dizer que estava no limite. Eu levei-o ao limite. O amor da minha vida. E eu odiei-o naquele momento. Com todas as forças do meu ser eu odiei-o. 
Hoje eu consigo ver que estava em hipomania. Consigo ter essa percepção. Na altura era apenas mais um momento da minha vida. Um momento horrível que nos marcou profundamente. Mas também nos ajudou. Ajudou-nos a encontrarmo-nos pois algures no tempo nós tínhamo-nos perdido.
Hoje somos um todo novamente. 
Somos unha com carne. A metade da mesma laranja. 
Mas somos porque ele nunca largou a minha mão. Mesmo quando me fez pensar que sim. 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Raul minh'alma

Sempre ouvi falar bem deste escritor português. Cheguei mesmo a ler alguns excertos que publicavam no Facebook e gostava do que lia mas nunca me deu para realmente ler os livros dele. 
Está semana a minha chefe emprestou-me um livro dele: se me amas não te demores. Foi lido em três noites.
Não é para me gabar. Ah e tal li um livro em três noites. Não. É para vos mostrar o quanto eu fiquei presa na narrativa deste autor. O quanto as suas palavras faziam sentido.
A história é interessante. Tem um excelente fio condutor. E é se tal modo credível e palpável que quase pensamos que é real. Que estamos a ouvir um amigo a relatar a sua história. 
Mas aviso desde já que não gostei do fim. E não vou comentar para que vocês sintam coragem e comecem a ler Raul minh'alma. Fiz mil e um finais na minha cabeça nenhum como o verdadeiro. Talvez por isso não tenha gostado. 

Alguém que leu e queira comentar?

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

hoje foi dia de fazer cuscurões

Mas já passou o natal!
Pois já mas agora é que nos deu na cabeça para fazer, o que é que querem? 
E tu sabes fazer cuscurões?
Óbvio que não.
Então como é que raios?...
Eu explico. Eu trabalho com idosos e tenho uma senhora que criticou imenso os cuscurões que a gente comprou para o natal que por acaso até eram caseirinhos, pois tinha comprado aos meus tios.
A senhora está sempre a reclamar de tudo mas os cuscurões.... Ela dizia que os dela é que eram bons. É que o segredo eram as suas mãos.
Ora que nem é tarde nem cedo. Hoje fui comprar os ingredientes que ela precisava e que nós não tínhamos, como por exemplo a farinha branca de neve, desculpem lá a publicidade, porque ela dizia que essa é que era farinha boa. 
Após o lanche agarrámos na senhora e fomos colocar as mãos na massa. 
Se aprendi? Eu arriscava a dizer que sim. Se sei voltar a fazer? Pois que parece-me que não. 
Era aquela questão da massa. Eu explico. Coloca farinha, coloca água fervida com laranja e canela, coloca farinha, coloca água fervida.... A sério. É isto durante mais de uma hora. Como é que eu sei se estou a colocar muito ou pouco de cada?
Ó depois que ela estica com o rolo e vai a fritar. Essa parte eu já percebo melhor. E fritei os cuscurões todinhos!!!! 
Depois de prontos tranquei-os na despensa para ninguém comer. São para amanhã ao almoço. 
Se eu provei? 
Claro.
Se eu gostei?
É assim, comem-se bem.
São melhores que os do meu tio?
Nem pensar.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

shine'aolic

Quem me conhece sabe que eu sou mega fã da Shine. Assim mesmo muito. Mas às veZes também fico desiludida, não se pode agradar a todos não é verdade?
Ora que o meu estudo tem mudado mesmo muito nos últimos tempos e por isso a Shine dá muito jeito com os seus preços convidativos. Mas nem é pelos preços, é porque gosto mesmo do que vejo.
Entrar numa loja normal, com vitrines e pegar na roupa tem sido uma desilusão. É que não gosto de nada e quando gosto penso o quê? Que a Shine tem mais barato!
Ora nesta última encomenda chegou um par de calças estilo fato e uns sapatos mesmo giros.
Bora lá falar sobre isso?
As calças são muito giras e assentam mesmo bem. Tenho é de ver se emagreço um cadidinho para elas não estarem apertadas. Servem, mas podiam não apertar tanto... 
Ainda trazem um cinto.... Completamente dispensável. Além de não ser bonito não tem qualquer qualidade.
Quanto aos sapatos? São o céu. Super confortáveis, almofadados, molinhos.... Uma maravilha. Estou desejosa para os experimentar mas ouvi dizer que chove nos próximos dias..... 
Sigam-me para mais.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

creme de ervilhas com chouriço

Parece que o tempo frio veio para ficar. É o tempo dele, bem sei, mas nem por isso gosto mais do frio. O calor é tão mais melhor bom...
Vai daí que só me apetece fazer sopas.
Mas apetece-te comer? Perguntam vocês.
Não, não. É mesmo para os outros. Daquelas sopinhas que confortam neste tempo frio em que só se está bem debaixo de muitos cobertores e com um gato quente em cima.
Este fim de semana fiz um creminho de ervilhas com chouriço que ficou um espetáculo.

Ingredientes 
2 courgettes
2 cenouras grandes
1 cebola grande
3 dentes de alho
Meio saco de ervilhas congeladas
Meio chouriço corrente

Preparação 
Costumo fazer coisas mais elaboradas mas o frio era muito por isso cortei tudo aos bocados e coloquei na panela de pressão, com exceção do chouriço que foi inteiro. Temperei com sal e manjericão e coloquei àgua até quase cobrir os legumes. Atenção ao quase. É quase. Não é cobrir tudo.
Ferveu cinco minutos na panela de pressão. 
Retirei o chouriço e piquei-o, colocando metade nos legumes e reservei a outra metade.
Triturei os legumes e rectifiquei o sal e a água. Eu gosto com mais água mas há quem goste com menos. Juntei o resto do chouriço e misturei.
Tcharammmmmm..... Muito complicada não é verdade?

Bom apetite 

gente!!!!! quanto tempo!!!!

É verdade, mais uma enorme temporada ausente. 
Não sei explicar porquê. Acho que me esqueci completamente que tinha um blog. E não estou a mentir.
É verdade. Esta cabeça não trabalha nada mas mesmo nada bem. É como se tivesse um enorme nevoeiro e eu tenha de tentar ver dentro dele. Não me refiro apenas ao blog. 
Toda a minha vida, dentro da minha cabeça é uma enorme nevoeiro. As pessoas falam comigo e passado pouco tempo eu já esqueci. Perguntam me coisas e eu fico tipo.... Ah e tal.... Sei lá. 
Vocês também sentem isto? 
Sinto sempre uma enorme confusão. Um grande esquecimento. 
É terrível.
No trabalho certas atividades que faço sinto aquele friozinho na barriga, como se fosse a primeira vez que estou a fazer. Fico perdida, a pensar se serei capaz quando na realidade já fiz várias vezes. 
Conversas que se perdem nos fios do meu inconsciente ficando a lembrança consciente se terão acontecido ou não. 
Não sei explicar. É como se muitas vezes não sou capaz de distinguir entre sonho e realidade. É tudo muito confuso no meu cérebro. Lá está, o nevoeiro.
Vou tentar lembrar-me mais vezes de que tenho um blog. Obrigar-me a mim própria a escrever. 

Então e o mau tempo II

Rescaldo das últimas depressões que aqui passaram, desde a Kristin, passando pelo Leonardo e terminando na Marta. Terminando é como quem diz...