segunda-feira, 11 de agosto de 2025

la ghriba

A estranha.
Também eu me senti uma estranha. Uma forasteira. Um peixinho fora de água. 
Por todo o lado se fala árabe e francês. Sendo que o francês consegue dominar a cena toda.  Oui para aqui, oui para ali ..inglês? Algum. Mas muito pouco. E nós o francês está quieto. Só mesmo o Jean Paul vien ici mamã, das nossas praias fantásticas.
Os funcionários do hotel são na sua maioria simpáticos mas ficámos com a impressão que não morrem de amores pelos ingleses por aqui. Tratavam-nos melhor depois de saberem que éramos portugueses. 
O hotel, já agora faço a publicidade, era o fiesta beach. Muito limpinho, comida cinco estrelas e nada a apontar. Tirando um empregado ou outro mais arrogante mas isso há em todo o lado, certo? 
As bebidas não são o que estávamos à espera. Não são grandes adeptos dos cocktails que estamos habituados. Têm as cenas deles. As bebidas deles. E passámos as férias quase a 0% de álcool com cocktails sem álcool. Vá, quase. Nas refeições eles tinham um vinhinho branco, levezinhooooooo, que caía mesmo bem. 
Tivemos um jantar na praia que é muito romântico para casais sem filhos. Nós temos dois apêndices pelo que não deu para namorar muito. Excepto na piscina. Quando íamos para a piscina podíamos namorar à vontade pois os putos iam para os tobugans e ficavam lá imenso tempo, escada à cima, escorrega a baixo. 
Fizemos uma excursão espetacular para conhecer um pouco os hábitos e costumes locais. Fomos a uma aldeia que vive apenas da olaria, fomos a djerbawood onde vários artistas deixam a sua marca, como por exemplo o nosso próprio Vhils, que fez questão de "esculpir" uma parede deixando o seu cunho e marca portuguesa. Fomos à sinagoga que tanto orgulho eles têm por ser do século v a.c. eu estava à espera de outra coisa mas vá, sejamos honestos, eu nunca tinha estado numa sinagoga por isso talvez eles tenham razão para ter orgulho. Mas no máximo dava-lhe meia dúzia de séculos. E acabámos com o mercado, local onde eu imaginei tendas e dromesários, pessoas vestidas tradicionalmente e cenas assim mas na verdade são lojas compridas tal e qual como no Algarve com pessoas super normais mas com as quais temos de negociar a toda a hora. 
Sim, aqui tem de ser tudo negociado. O que é uma treta pois nunca sabemos se estão a levar a melhor sobre nós ou se até temos jeito para a coisa. Eu fiquei caladinha o tempo todo pois se fosse por mim pagávamos o preço inicial e pronto. E aí estaríamos a ser roubados o tempo todo. 
E pronto, basicamente foram as nossas férias. Mais um passeio de dromedário, que é sempre muito giro, e umas voltinhas de mota de água, os homens que eu fiquei com o mais novo a dar uns mergulhos, foi muito, muito fixe.
Trazemos connosco muita alegria, muita curiosidade e muita fantasia. 
Somos estranhos num país de estranhos. Estrangeiros. E que bom que foi ser estrangeiro em Dejerba. 

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