terça-feira, 2 de abril de 2024

dor

Odeio pessoas. 
Sempre me desiludem.
E odeio-me a mim própria por deixar-me afectar por tudo e todos.
Eu adoro o amor. O carinho. O sentimento de pertença.
Mas a mentira, a desilusão, a crueldade... 
E eu como humana sou igual. Sei isso. O único problema é que ao contrário dos outros eu não consigo lidar com isso. Não consigo lidar com os defeitos dos outros. Dos meus próprios defeitos. 
É como se a minha alma não estivesse preparada para isso, sofrendo com todas as suas forças. E o pensamento da morte assombra a minha vida a todo o instante.
Eu sei que tenho muito pelo qual estar grata. E que a morte nunca deveria sequer rondar os meus pensamentos. Mas a dor apodera-se de mim sem dó nem piedade, por tudo e por nada. Como uma força invisível que enegrece o meu coração e o deixa desesperado. 
É difícil explicar aquilo que sinto. É uma dor inexplicável. Um desespero angustiante. E tudo o que eu sinto é que apenas a morte me pode salvar. 
Por isso sim, penso na morte. Constantemente. Como uma fiel companheira que qualquer dia irá ser capaz de me levar. De me libertar. 

Sei que é a doença a falar. 
Mas quando esta dor, este desespero se apodera de mim, não consigo evitar imaginar como poderia terminar com tudo. 
Já o fiz uma vez. Mas a dor aí era excruciante. E é isso que eu penso de cada vez que a morte me ronda. Que eu já aguentei pior. Que já estive pior.
E durmo. Com a esperança que o novo dia me traga a vida que necessito. Me devolva o amor que me rodeia e que naquele momento eu não sou capaz de sentir. 
Que desmistifique a liberdade que a morte aparenta e me sossegue o coração tranquilizando a minha dor.
Porquê é apenas mais um dia.
Só mais um dia.

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