Falar sobre a morte é sempre um assunto muito pesado.
Não sei quanto a vocês mas acho sempre que nunca tenho a coisa certa para dizer aos outros.
Tivemos uma formação sobre o assunto. Por acaso foi muito interessante e o formador conseguiu tornar este tema leve, levezinho para toda a gente. E ele diz que é importante irmos de encontro às necessidades do outro. E mostrar que ele é importante.
Temos uma senhora no lar que todo o santo dia, à hora de almoço, quando lhe estou a dar a refeição me pergunta:
"Eu vou morrer?"
Nunca percebi esta questão da parte dela. Não tem dores. Tem uma vida até razoável. Uma família que a ama.
Mas todos os dias a mesma pergunta.
"Eu vou morrer hoje?"
"Não querida. Eu não deixo!"
Qualquer dia, se calhar, arrependo-me da minha resposta. Mas por enquanto ela vai ficando contente e continua a comer. E não volta a perguntar mais nada nem a falar sobre a morte.

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